Reunião na ONU em Brasília discute enfrentamento ao feminicídio e à transfobia no Brasil

Encontro integrou a programação da 3ª Marcha Trans Brasil e foi articulado pela ANTRA; Petrolina foi citada como território que exige atenção e investimentos urgentes.

Na tarde do último dia 26 de janeiro, a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Brasília, foi palco de uma reunião estratégica para debater políticas de enfrentamento ao feminicídio, à transfobia e às múltiplas violências de gênero no Brasil. O encontro foi articulado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e integrou a programação oficial da 3ª Marcha Trans Brasil, reunindo representantes de organismos internacionais, ministérios, instituições do sistema de Justiça e movimentos sociais.

A reunião contou com a presença da equipe da ONU Mulheres, representada por Gallianne Palayret, e de Florbela Fernandes, representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil. Pelo governo federal, participaram o Ministério das Mulheres, por meio da Secretária Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política (SENATP), Sandra Keneddy Viana, e o Ministério da Igualdade Racial. Também estiveram presentes representantes da Defensoria Pública da União (DPU) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Os movimentos sociais foram representados por diversas organizações, com destaque para a ANTRA, por meio de sua presidenta Bruna Benevides, além de lideranças dos principais coletivos LGBTQIA+ do país, reafirmando a centralidade da sociedade civil na formulação e no monitoramento das políticas públicas.

Entre as vozes presentes, destacou-se a participação de Alzyr Brasileiro, presidenta da Organização da Sociedade Civil Cores, com atuação no sertão de Pernambuco. Em sua fala, Alzyr apresentou dados sobre feminicídio e transfobia no município de Petrolina, chamando atenção para a realidade do interior nordestino, frequentemente invisibilizada nas estatísticas nacionais e nas ações de enfrentamento às violências.

A ativista defendeu a necessidade de um olhar territorializado nas políticas públicas e cobrou investimentos urgentes em prevenção, proteção e garantia de direitos para mulheres cis, mulheres trans, travestis e pessoas não binárias. “É fundamental que todas as mulheridades sejam protegidas e que regiões como o sertão tenham acesso efetivo a políticas de defesa da vida e da dignidade”, destacou.

A reunião reforçou o compromisso das instituições presentes com a articulação intersetorial, o fortalecimento das políticas de igualdade de gênero e raça e o diálogo permanente com a sociedade civil organizada, reconhecendo o papel histórico dos movimentos trans e LGBTQIA+ na luta por direitos humanos.

O encontro na ONU, realizado no contexto da 3ª Marcha Trans Brasil, marca mais um passo na construção de ações conjuntas voltadas à promoção da justiça social, da equidade e da proteção integral da vida, especialmente das populações historicamente vulnerabilizadas no país.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *