O edital “Nas Trilhas de Cairo”, promovido pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), em parceria com a Embaixada Britânica realizou uma atividade, cujo foco foi a igualdade de gênero e o respeito aos direitos humanos. O evento reuniu representantes do Ministério das Mulheres e de 12 organizações da sociedade civil, que atuam no enfrentamento ao tráfico de pessoas, à exploração sexual e à violência baseada em gênero.
Nos dois dias, de formação realizados no mês de fevereiro, foram discutidas estratégias de mobilização, advocacy e fortalecimento de políticas públicas voltadas para a prevenção e o combate ao tráfico de pessoas e à exploração sexual, que são problemas graves no Brasil, especialmente na Amazônia Legal, uma região marcada pela degradação ambiental e pela atuação de redes criminosas. Desde 1995, mais de 57 mil brasileiros foram resgatados de situações análogas à escravidão, um número superior à população de 89% dos municípios brasileiros. Em média, 2.063 pessoas são retiradas anualmente de condições de trabalhos degradantes.
Como parte da programação, as formações abordaram o “Tráfico de pessoas – caminhos para prevenir e combater” e a “Violência baseada em gênero e justiça reprodutiva”. Também foi realizada roda de conversa com o tema “Construindo caminhos para o enfrentamento ao tráfico de pessoas”, possibilitando uma abordagem interseccional sobre as múltiplas formas de violência enfrentadas por mulheres e meninas. O evento destacou, ainda, a importância de uma maior cobertura jornalística para ampliar a sensibilização sobre esses problemas.
Luana Silva, oficial de Gênero, Raça e Etnia do Unfpa, conduziu a formação e destacou a relevância da atuação das organizações da sociedade civil no enfrentamento às violações de direitos. “Acreditamos na força das mulheres e na importância do fortalecimento desses parceiros para promover mudanças significativas. O Unfpa tem como missão garantir os direitos humanos e o bem-estar das populações, com foco na saúde sexual e reprodutiva, igualdade de gênero e combate à violência baseada em gênero.
Para Alzyr Brasileiro, coordenadora do projeto “Pernambuco em rede contra o trafico humano”, um dos contemplados pelo edital, trabalhar a conscientização da população para um assunto tão sério e perto de nossa realidade é de extrema importância, pois precisamos mostrar que existe e temos que denunciar casos suspeitos. Pernambuco e principalmente o sertão está na rota desse crime. Vamos buscar parcerias com a imprensa para midiatizar essa questão social e fazer com que a informação chegue ao grande público, disse. A ONG Cores participou da formação através de Roberta Costa, também coordenadora do projeto em Pernambuco.
Participaram da formação as seguintes organizações: Associação Beradeiro (Rondônia); Associação de Trabalhadoras Domésticas Tereza de Benguela (Minas Gerais); Associação DPAC Fronteira (Amapá); Associação Vitória Régia (Amazonas); Coletivo Feminista de Mulheres Negras Ajunta Preta (Tocantins); Cores Movimento de Defesa da Cidadania e do Orgulho LGBT+ (Pernambuco); Federação das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e Tamo Juntas (Salvador); Grupo Sabá (Roraima); Humanidade Mais que Fronteiras (Roraima); Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife – IP.Rec (Pernambuco); e Instituto Valquírias World / Nação Valquírias (São Paulo).
